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 Entidades como a UNE e a UBES convocaram nova mobilização para 30 de maio e esperam reverter os cortes de Bolsonaro

 Após a grande adesão à mobilização nacional conhecida como 15M, em defesa da educação e contra os cortes nas universidades, entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) decidiram convocar mais um dia de luta, desta vez no dia 30 de maio, quinta-feira. Até o momento, as manifestações foram confirmadas em 24 capitais e 45 municípios no interior e no litoral.

Segundo cálculos da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), cerca de um milhão de estudantes, professores, e defensores da educação pública foram às ruas de 222 cidades brasileiras no dia 15 deste mês, em protesto contra os cortes promovidos pelo governo federal na pasta.

A pressão surtiu efeito e no dia 22, o governo anunciou que usaria parte da reserva orçamentária para diminuir o tamanho dos cortes da educação. Com o recuo, os R$ 5,8 bi que seriam cortados foram reduzidos para R$ 4,25 bi.

A mobilização engajou os descontentes com Bolsonaro, que já em início de mandato acumula escândalos, recuos e medidas impopulares. Segundo pesquisa Ipesp/XP divulgada nesta sexta (24), 36% dos entrevistados avaliam o governo como ruim ou péssimo.
 
 
Confira abaixo a agenda de atos nas capitais:
 
 
ARACAJU (SE)
Local: Praça General Valadão
Horário: 15h

BELÉM (PA)
Local: Praça da República
Horário: 16h

BELO HORIZONTE (MG)
Local: Praça da Estação - Avenida dos Andradas
Horário: 09h

BRASÍLIA (DF)
Local: Museu Nacional
Horário: 10h

CAMPO GRANDE (MS)
Local: Praça Ary Coelho
Horário: 15h

CURITIBA (PR)
Local: Praça Santos Andrade
Horário: 18h

CUIABÁ (MT)
Local: Praça Alencastro
Horário: 14h

FLORIANÓPOLIS (SC)
Local: Praça XV de Novembro
Horário: 15h

FORTALEZA (CE)
Local: Praça da Gentilândia
Horário: 14h

GOIÂNIA (GO)
Local: Praça Universitária
Horário: 15h

MACAPÁ (AP)
Local: Praça da Bandeira
Horário: 16h

MACEIÓ (AL)
Local: Praça do Centenário
Horário: 13h

MANAUS (AM)
Local: Praça da Saudade
Horário: 15h

NATAL (RN)
Local: Shopping Midway
Horário: 15h

PORTO ALEGRE (RS)
Local: Esquina Democrática - Borges de Medeiros X Rua dos Andradas
Horário: 18h

PORTO VELHO (RO)
Local: UNIR Centro
Horário: 16h

RECIFE (PE)
Local: Rua Aurora
Horário: 15h

RIO DE JANEIRO (RJ)
Local: Candelária
Horário: 15h

JOÃO PESSOA (PB)
Local: CCHLA/UFPB
Horário: 15h

SALVADOR (BA)
Local: Praça do Campo Grande
Horário: 10h

SÃO LUIS (MA)
Local: Praça Deodoro
Horário: 15h

SÃO PAULO (SP)
Local: Largo da Batata
Horário: 16h

TERESINA (PI)
Local: Em frente ao INSS
Horário: 8h

VITÓRIA (ES)
Local: Teatro da UFES
Horário: 16h30

Fonte: Brasil de Fato | Escrito por: Marcos Hermanson | Edição: Pedro Ribeiro Nogueira | Foto: Nelson Almeida | AFP
Um deles explica: "Dou entrevista para você, sim, parça. Ainda está suave, porque o bagulho aqui só estrala às 7 horas da noite. Então, nessa hora, começa a pingar pedidos e eu não paro mais".


O grande relógio no Conjunto Nacional, no alto da avenida Paulista, mostra que faltam 36 minutos para esse ponto de inflexão diário para os aplicativos de entrega em São Paulo.

Em outras palavras: o horário em que milhares de pessoas chegam em casa, olham a geladeira, desistem de cozinhar e resolvem pedir comida por alguma das plataformas disponíveis.

Os entregadores aguardam esse momento do rush sentados em calçadas próximas a shopping centers, restaurantes ou supermercados. Então, por volta das 19h, começam a pipocar os pedidos nos celulares: os jovens pegam as mochilas, as bicicletas ou motos e partem para a correria da noite.

Durante uma semana, a BBC News Brasil conversou com dezenas de trabalhadores do setor em três pontos de concentração deles na cidade: avenida Paulista e os bairros de Pinheiros e Higienópolis - locais com grande oferta de comércio.

Os entregadores, no entanto, não moram nesses bairros. Vivem principalmente na periferia ou em cidades da Grande São Paulo. Para chegar ao trabalho, percorrem até 30 km - às vezes, pedalando.

Em um momento de crise econômica e alta do desemprego, os aplicativos de serviços como Uber, iFood, 99 e Rappi atraem desempregados e pessoas que têm dificuldades para se inserir no mercado de trabalho com a perspectiva de obter alguma renda.

No mês passado, um estudo do Instituto Locomotiva, publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo, apontou que quatro milhões de pessoas trabalham para essas plataformas no Brasil hoje - 17 mihões usam os serviços regularmente.

O aplicativo colombiano Rappi, por exemplo, começou a operar no país em julho do ano passado e hoje vê seu número de entregas aumentar 30% ao mês.

Por outro lado, o crescimento do negócio vem acompanhado de críticas. Especialistas afirmam que as empresas ajudam a precarizar o trabalho, pois elas não costumam seguir as leis trabalhistas. Seus colaboradores fazem jornadas de trabalho muito mais longas que as oito horas previstas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por exemplo.


'As vantagens de ser motoboy'


Nas ruas de São Paulo, existem duas categorias de entregadores de aplicativos: os motoqueiros e os ciclistas. Elas concorrem entre si.

Quem tem uma moto recebe mais pedidos, trabalha de uma forma menos exaustiva e, principalmente, consegue ter uma renda maior - às vezes, recebe até o dobro do ciclista. Os motoboys que fazem jornadas de 12 horas diárias, por exemplo, ganham cerca de R$ 4 mil mensais, em média.

É o caso de Rodrigo Versutti, 41, que conseguiu aumentar seus vencimentos migrando do serviço de motoboy tradicional - que entrega documentos, principalmente - para o delivery de comida.

Hoje, ele ganha mais, sem dúvida, mas precisou abrir mão dos direitos trabalhistas da CLT, como seguro-desemprego, fundo de garantia e férias remuneradas. "Trabalho há 20 anos como motoboy e nunca tive uma renda como agora", explica.

Ex-pintor de paredes, Antônio Francisco Alves, de 41 anos, tem trajetória parecida: ganha quase o dobro do que recebia no trabalho anterior. Na crise, a falta de serviços regulares o empurrou para os aplicativos. "Parado eu não iria ficar. Eu tinha uma moto, mas nunca tinha trabalhado com ela", diz.

Todos os dias ele se posiciona na calçada em frente a um shopping em Higienópolis, bairro de classe média alta de São Paulo. Trabalha das 11h às 23h. Por que tanto tempo?

Porque plataforma iFood incentiva a permanência dos entregadores no local por meio de bônus financeiros. Se um motoboy ficar 12 horas por ali, ganha R$ 190 pelo período, além do dinheiro das entregas.

Pode parecer vantajoso, a princípio, mas não há garantias de que o esquema vá continuar por muito tempo. Aplicativos de serviços costumam dar prêmios para aumentar o número de colaboradores ou para suprir a demanda de uma área com pouca cobertura. Depois, aos poucos, as bonificações diminuem ou até desaparecem.

Nesse caso, o entregador pode perder o bônus diário caso fique offline, recuse alguma corrida ou se distancie do ponto sem nenhum pedido nas mãos - ou seja, ele precisa ficar imóvel e aceitar todas as corridas, independentemente de horário ou distância.


'O paradoxo dos ciclistas'


Já o entregador que usa bicicleta, por sua vez, vive uma espécie de paradoxo: por mais que a tecnologia faça a roda do delivery girar, o trabalho dele depende essencialmente da força física. Quanto mais ele pedalar, quanto mais quilômetros percorrer pela cidade, maior será sua remuneração.

Por isso, os ciclistas ouvidos pela reportagem relataram fazer jornadas de mais de 12 horas diárias, trabalhar muitas vezes sem folgas e até dormir na rua para emendar um horário de pico no outro, sem voltar para casa.

Em média, eles conseguem uma renda mensal de R$ 2 mil, segundo relatos. As empresas não revelam dados sobre o perfil de seus colaboradores, mas, em uma semana de conversas, a reportagem constatou que grande parte pertence às classes mais baixas, mora em bairros periféricos e tem dificuldade para conseguir empregos no mercado formal.

Um deles é Carlos Henrique Lima, de 18 anos, de Cotia, cidade da Grande São Paulo. Todos os dias, ele pedala os 30 km que separam sua casa do bairro de Pinheiros. "Isso é só na ida, parça", afirma. Contando ida, volta e entregas, ele percorre por volta de 80 km diários, diz.

Sai de casa às 9h, pedalando pela rodovia Raposo Tavares até chegar à capital, às 10h30. Como a maioria, ele não usa - e as empresas não fornecem - equipamentos de segurança, como capacetes.

Depois, Carlos participa de um programa do iFood conhecido como "OL" - os entregadores chamam de "onda". Das 11h às 13h, ele trabalha para apenas um restaurante. Ganha R$ 20 por esse período e mais R$ 1,50 por refeição entregue. Também recebe uma marmita para almoçar.

A "onda" é uma espécie de bônus que também serve para atrair os entregadores. Quando ela começou, há alguns meses, era mais vantajosa financeiramente, pois pagava R$ 40 por período de duas horas. Mas o valor foi caindo ao longo do tempo, o que fez alguns desistirem do modelo.

Depois da "onda", Carlos vai até um posto do iFood no mesmo bairro. No local, a empresa disponibiliza café, água, banheiro e pufes. Dezenas de entregadores passam a tarde ali, momento em que os pedidos diminuem bastante.

Eles dormem em pufes ou no chão, jogam pebolim e carregam os celulares para o rush da noite. "Essa é a hora do descanso", explica Carlos.

A jornada do rapaz, porém, vai até as 23h, quando ele retorna para Cotia de bicicleta.

Ao seu lado está Thales Coelho, 20, de Cajamar, também na Grande São Paulo. O jovem prefere chegar à capital de trem. No entanto, para trabalhar, aluga uma bicicleta do serviço de empréstimo do banco Itaú - são R$ 20 por mês. Mas, a cada uma hora de uso, Thales precisa trocar a unidade ou renová-la.

Ele começou nos aplicativos depois de perder o emprego de operador de telemarketing, há alguns meses. "A empresa faliu e eu não queria ficar em casa parado", diz. Ele afirma ganhar cerca de R$ 300 por semana.


'Uberização'


Pesquisa realizada pela Fundação Instituto Administração (FIA) e divulgada pela Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O) aponta que a idade média do entregador é de 29 anos - os números contemplam motoboys e ciclistas. A maioria (97,4%) é homem; 73% têm apenas o ensino médio completo, e 11,7% já concluíram ensino superior ou pós-graduação.

Durante as conversas com a reportagem, muitos deles usaram o mesmo argumento para explicar por que atuam no setor: "O trabalho é a gente que faz".

Para eles, os aplicativos de entrega oferecem certa liberdade que não teriam em uma função mais formal. Ou seja, você escolhe seu horário, trabalha o quanto quiser, pode ir embora a qualquer hora e, para ganhar mais, basta se esforçar mais, segundo eles.

"Coloquei na minha cabeça que a crise é você quem faz", diz Carlos, que também é grafiteiro e sonha em se mudar para o Chile. "Um celular já te arruma um emprego. Se você se dedicar, consegue ganhar R$ 1 mil em um dia. Vai do seu esforço."

Esse discurso de "autogerenciamento" do trabalho é parecido com o adotado pelas plataformas.

A Uber respondeu aos questionamentos da BBC News Brasil com a seguinte nota: "O Uber Eats é uma empresa que oferece oportunidades a profissionais autônomos que podem se beneficiar da tecnologia para gerar renda extra ao toque de um botão. Os entregadores parceiros são autônomos, escolhem como e quando utilizarão o aplicativo como geração de renda".

A Rappi afirmou: "Estes, profissionais autônomos, atuam por conta própria, portanto, podem se conectar e desconectar do aplicativo quando desejarem. A flexibilidade permite que esses profissionais usem a plataforma da maneira que quiserem e de acordo com suas necessidades. Não há relação de subordinação, exclusividade ou cumprimento de cargas horárias".

Já o iFood afirma que "está testando estruturas com espaço para descanso, recarrega de celular e banheiros". Também diz que "outras ações incluem campanhas que estimulam boas práticas entre os parceiros de entrega por meio de vídeos educativos".

Por outro lado, apesar de geração de renda, esse modelo de trabalho tem sido criticado por especialistas. Há quem chame o fenômeno de "uberização", em referência à visibilidade que o aplicativo de transporte Uber ganhou nos últimos anos.

Inicialmente, a plataforma foi criticada por se recusar a seguir qualquer regulação estatal e por não estabelecer vínculos empregatícios com seus colaboradores. Porém, a empresa sempre alegou que sua tecnologia apenas facilita a interação entre quem precisa do serviço e quem o oferece.

Para a pós-doutoranda Ludmila Costhek Abilio, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp, a chamada "uberização" é uma tendência no mercado de trabalho. "Esse processo é de informalização, que vem tirando as garantias e proteções. Agora, é o trabalhador quem entra com os meios de produção, além de arcar com os custos e com os riscos da atividade", explica.

"Supostamente, a pessoa trabalha onde e quando quer, mas a verdade é que ela está trabalhando cada vez mais. O que estamos estudando é como esses trabalhadores estão subordinados aos algoritimos, às regras de cobrança, às comissões e às metas de produtividade. Não me parece que as escolhas sejam tão amplas assim", diz Costhek Abilio.

Em outras palavras, o motoboy André dos Santos, 30, concorda com essa visão: "Quem tem disposição realmente consegue ganhar dinheiro. Mas tudo o que acontece depende de você: se cair e se machucar, você está sozinho; se chover e não trabalhar, não ganha nada. Se morrer, ninguém vai pagar o seguro para sua família, ninguém vai ligar para sua mulher", diz.


'Ida e volta para a quebrada'


Para os entregadores, os dias de chuva e os finais de semana são os mais lucrativos, pois o número de pedidos e o valor do frete aumentam. Um domingo, por exemplo, pode render até R$ 200 em entregas. "O povo não gosta de cozinhar nem sair de casa nesses dias", explica Welquer Vicente, de 27 anos.

Ele mora no Jabaquara, na zona sul, e trabalha na região da Paulista. Conta já ter virado a noite de sábado fazendo entregas, emendando a jornada noturna ao domingo seguinte, sem voltar para casa. "Tenho pensão de um filho para pagar", diz.

Seu colega, Gabriel Di Pieri, 18, conta não ter visto muito a família nos últimos meses. "Chego em casa, tomo um banho e durmo. Não vejo ninguém", diz. Ele tem juntado o dinheiro das entregas para pagar a faculdade de gastronomia que sonha fazer.

Em Pinheiros, Gabriel de Jesus, 22, diz já ter virado o fim de semana trabalhando, também. "Sábado à noite a gente dorme na praça Victor Civita. Não vale a pena voltar para casa e depois vir para cá de novo, de manhã", diz. Seu amigo, Robert dos Santos, completa: "A gente reveza: um dorme no banco e outro fica acordado para proteger dos roubos".

Robert mora no Campo Limpo, também na zona sul paulistana. Todas as manhãs, ele percorre 15 km até Pinheiros, de bicicleta. "Isso é só a ida, parça. Depois, trabalho o dia todo, até meia-noite", diz.

Ele pensa em seguir no setor: quer comprar uma moto para ascender na escala dos aplicativos. "Agora que já tenho as manhas do trabalho, que já conheço as ruas, só me falta um motor."


Fonte: BBC News Brasil | Escrito por: Leandro Machado | Foto: Lincon Zarbietti
 Tarifas bancárias, preço da energia elétrica, gás, gasolina e diesel, além do serviço postal podem subir se o Plano de Demissão Voluntária (PDV), anunciado pelo governo, for implementado, alertam trabalhadores


 Em sua estratégia de enfraquecer a atuação das estatais e piorar a qualidade do atendimento ao consumidor para atrair a simpatia da população para a privatização, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) anunciou mais um Plano de Demissão Voluntária (PDV), em sete empresas públicas. O governo espera a adesão de 21 mil funcionários e uma "economia" de R$ 2,3 bilhões.

Na Infraero, o objetivo é desligar cerca de 600 funcionários, na Petrobras, 4.300, nos Correios é de 7.300 empregados. Na Embrapa, a meta é o desligamento de 3.000. Os nomes das outras três estatais onde haverá cortes não foram informados pelo governo.

Na avaliação dos representantes dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios, Eletrobras, Petrobras e bancos, o PDV vai aumentar as falhas no atendimento e na quantidade de acidentes ao mesmo tempo em que vai reduzir custos e sucatear as estatais para privatizar. E para completar vai encarecer o valor das tarifas bancárias e os preços da energia elétrica, do gás, da gasolina e do diesel e do serviço postal, além de contribuir para aumentar o número de desempregados, que vem batendo recordes no país, além de entregar as empresas estratégicas ao mercado financeiro, colocando em risco a soberania nacional.

O diretor do Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro e funcionário de Furnas, Felipe Araújo, critica a lógica do governo Bolsonaro em priorizar o acionista e não o papel social que o sistema Eletrobras tem no país: o de levar energia elétrica a um preço justo que a população possa pagar.

"A lógica da supremacia do acionista sobre bem estar social interessa apenas ao mercado financeiro. O acionista quer o dinheiro no final do ano. A Eletrobras nasceu com uma posição estratégica, de soberania nacional para gerar um resultado positivo para a sociedade brasileira a longo prazo e não para dar lucros a curto prazo", ressalta o dirigente.


  • "Pode aumentar o risco de falhas no sistema e de apagões de energia. O quadro de funcionários já está no limite, e com menos gente se faz mais horas extras. Há aumentos de turnos e os trabalhadores têm de ficar de sobreaviso em casa, mesmo de folga, sem poder, sequer, passear com sua família. Isto aumenta o stress e os riscos de acidentes"- Felipe Araújo
 

A mesma estratégia de desacreditar junto à população a capacidade da empresa e de seus trabalhadores vem sendo feita na Petrobras. De 2014 a 2016 aderiram a planos de demissão 20 mil funcionários e a estimativa para o próximo é de 12 mil, o que reduziria a capacidade operacional da empresa em mais de 30 mil pessoas. Isto representa quase 50% do quadro de 80 mil funcionários que a Petrobras tinha em 2012.

O coordenador-geral da Frente Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel tem a mesma visão dos eletricitários de que o PDV embute um processo de privatização. "O PDV é o primeiro passo e quem não adere sofre ameaça de demissão, porque a reforma Trabalhista abriu esta oportunidade para a empresa", conta.

O secretário de comunicação da CUT Roni Barbosa, que também é petroleiro, concorda que os programas de demissões visam apenas reduzir os custos da Petrobras , a preparando para a privatização.

"Querem oferecer a Petrobras com um quadro muito enxuto além do necessário para atrair compradores. A população precisa ser alertada que os custos serão muito altos. Uma empresa que compra uma refinaria paga bilhões de dólares e vai querer tirar esta diferença rapidamente", diz.

O atual presidente Roberto Castello Branco, chegou dizer que por ele venderia tudo. E enquanto coloca seu plano de privatização em ação, anunciou a venda de oito refinarias.

"Se as oito refinarias forem privatizadas, vai continuar a política de preços da Petrobras que beneficia os acionistas e prejudica a sociedade. É essa política que faz a população pagar R$ 5,00 pelo litro da gasolina, quase R$ 4,00 pelo litro do diesel e R$ 100,00 pelo botijão de gás de cozinha", critica o coordenador-geral da FUP.

O secretário de comunicação da CUT lembra que um barril de petróleo é produzido a dois dólares. Os investidores vão triplicar o preço para retirar o capital investido.


  • "É uma crueldade com a população que já pagou pela Petrobras e vai pagar uma segunda vez. Não tem sentido entregar setores estratégicos para a iniciativa privada" - Roni Barbosa


O dirigente da CUT lembra ainda dos riscos que os cortes nos quadros de funcionários nas estatais e as privatizações trazem aos trabalhadores e a população em geral.

"Como resultado do enxugamento de funcionários tivemos em 1984, o acidente na plataforma P 33 , na Baía de Guanabara, que matou 36 trabalhadores e deixou outros 23 feridos. A privatização da Vale mostrou também que o lucro está acima da vida humana e estão aí os exemplos dos acidentes nas barragens da Vale de Mariana e Brumadinho, que até hoje não enterrou todos as vítimas daquela tragédia anunciada", diz Roni.

Nos bancos públicos, como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), ao contrário dos governos Lula e Dilma Rousseff em que as tarifas eram mais baixas do que as dos bancos privados, a população já sente a queda na qualidade do atendimento, pela falta de funcionários.

Segundo a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, o PDV faz parte de um plano do governo para sobrecarregar o funcionário e, assim demorar o atendimento do cliente que fica insatisfeito e defenderá a privatização.

Juvandia conta que desde o governo do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB), aderiram a planos de demissões 20 mil trabalhadores e trabalhadoras. Agora Jair Bolsonaro quer continuar com os PDV para preparar a venda desses bancos.


  • "O ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, já fala em fusão do BB com banco privado dos Estados Unidos. Estão entregando nossas empresas lucrativas, que além dos serviços para a população devolvem os dividendos para o próprio Estado para fazer políticas públicas" - Juvandia Moreira


"Todo mundo perde, a sociedade e os trabalhadores que se sentem inseguros em permanecer na empresa com medo de perdas, e querem sair com algum ganho financeiro. Eles olham para o futuro e não vêm perspectivas", diz a dirigente, que alerta ainda para os cortes que o financiamento imobiliário, que a Caixa oferece, e os programas sociais podem vir a sofrer.

"Mais de 37% da arrecadação das loterias vão para programas sociais. Se privatizar, como quer o governo, o dinheiro vai para o acionista, para os ricos, que ganham ainda mais dinheiro", diz.

Os Correios cuja meta do governo é desligar 7.300 trabalhadores com o novo PDV, já vem sendo sucateado há alguns anos. Com isso, a qualidade dos seus serviços vem sendo questionados por parte da população, avalia Emerson Marcelo Gomes Marinho, diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).

Segundo ele, desde 2011 os Correios estão sem concurso público para novos funcionários. Ao final de 2012 eram 125 mil funcionários e, após vários planos de demissões, hoje são 105 mil, com perda de 15 mil funcionários na área operacional e o restante na parte administrativa.

Para piorar a situação do atendimento à população, o presidente da empresa, General Juarez Aparecido de Paula Cunha já anunciou que pretende deixar o quadro de pessoal entre 70 e 80 mil, reduzindo a capacidade de serviços em quase 50% da mão de obra atual.

Segundo Emerson, os Correios vêm fazendo um trabalho forte de comunicação para que os funcionários pensem que a empresa vai acabar, e as pessoas se precipitam, aceitando sair com um pouco mais de dinheiro. O mesmo acontece em relação aos aposentados que temem perder os 40% do FGTS, com a reforma da Previdência, se o Congresso Nacional aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC nº 006), de Bolsonaro.


  • "O governo tem adotado uma política de assédio moral e psicológico em cima do trabalhador para diminuir o passivo e entregar os Correios à iniciativa privada. Essa é a lógica do PDV, tornar a empresa atraente para o mercado e quem vai pagar mais à frente é a população com o aumento das tarifas" - Emerson Marcelo Gomes Marinho


Além da falta de funcionários, de acordo com Emerson, a empresa vem priorizando os serviços de entrega de "objetos qualificados", que são pacotes ou compras que podem ser rastreados via internet, em detrimento à carga postal, que são as cartas, boletos e correspondências em geral.

"O filé mignon de arrecadação são as entregas dos 'objetos qualificados'. O papel de integração social, de levar a comunicação, as cartas aos quatro cantos do país, aos ribeirinhos nos confins da Amazônia, de integrar o Brasil está sendo relegado a um segundo plano, e vai piorar porque uma empresa privatizada não vai se importar com a população", alerta o diretor da Fentect.


Conhecimento é relegado

O engenheiro de Furnas, Felipe Araújo alerta que os últimos planos de demissões voluntárias na Eletrobras, diminuíram a força de trabalho do sistema de uma forma completamente 'ingerenciável', pela falta de concursos públicos para repor a mão de obra.

Felipe alerta ainda que a fuga de capital intelectual da empresa, da capacidade de engenharia e da desapropriação tecnológica vai fazer a sociedade pagar por isso, se houver uma retomada de crescimento. Segundo ele, os funcionários do sistema Eletrobras têm um alto grau de qualificação reconhecido no Brasil e no mundo e , essa perda é irreparável e vai custar mais caro adiante para a empresa e os consumidores.

"Essa demanda vai ter de ser suprida por empresa terceirizada e, se essa empresa não tiver o capital intelectual vai ter de buscar, ou fingir que não precisa. Com isso, os serviços encarecem, e ainda o atendimento pode piorar", diz o diretor do Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro.

O diretor da Fentect, Emerson Marinho também concorda que as demissões provocam danos ao funcionamento das estatais e nos Correios não é diferente.

"A população não sabe que a precarização dos serviços vem acontecendo pela política dos PDVs e, quando contratam terceirizados, os novos funcionários levam 90 dias para aprender o serviço, mas logo em seguida são demitidos. É uma política de pânico", denuncia Emerson.


Sindicatos e CUT prometem reação e pedem apoio da população

"A CUT rechaça esse PDV nas estatais. Vamos lutar para reverter esse processo, recompor o quadro de funcionários nas estatais para que elas cumpram o papel de atender a população", defende o secretário de comunicação da CUT, Roni Barbosa.

Segundo ele, os lucros obtidos não podem ser remetidos ao exterior como fazem as multinacionais, que muitas vezes, também não cumprem legislações ambientais e trabalhistas.

"A Vale é um exemplo de que fica o bagaço para a população e o melhor vai para os acionistas. Uma estatal reinvesti no país", lembra o secretário.

A presidenta do sindicato dos bancários Juvandia Moreira Leite defende a luta dos sindicatos e da CUT contra a privatização das empresas públicas e pede o apoio da população

"A sociedade também tem de defender a soberania nacional. Este governo não tem projeto de Nação. Não existe Nação forte que não valorize sua natureza e suas estatais fortes. Todas as categorias juntas, sejam petroleiros, eletricitários, bancários, urbanitários, precisamos fazer a luta conjunta contra a entrega da soberania nacional".

Para o dirigente da FUP, José Maria Rangel, é preciso reagir, resistir à privatização e buscar apoio da população.

"Precisamos dialogar com a sociedade que tem uma visão distorcida de que funcionário público é marajá. Precisamos fazer com que a população entenda que esta não é uma luta corporativa e sim da toda a sociedade porque estamos defendendo a soberania nacional", afirma Rangel.

Já o diretor da Fentect, Emerson Marinho, diz que a entidade é contra o PDV por piorar o quadro de desemprego no país e aumentar a possibilidade de um colapso social.

"Somos contra esse desmonte e o desligamento de pessoas que poderiam estar melhorando a qualidade de entrega e dos serviços dos Correios à população", diz Emerson.

Fonte: CUT Brasil | Escrito por: Rosely Rocha | Imagem: Alex Capuano/CUT
 Apresentadores de TV, com renda média de R$ 1,3 milhão por mês, estarão em peças publicitárias


 A reforma da Previdência proposta pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) – em discussão no Congresso por meio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 06/19 – será defendida em uma campanha publicitária protagonizada por sete apresentadores populares da TV.

Com renda mensal média estimada em R$ 1,37 milhão – sem considerar o lucro das empresas próprias, outras propagandas e comissões –, os comunicadores milionários que a agência de propaganda Artplan contratou estão numa faixa salarial que é 50 vezes maior que a média da população 1% mais rica do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o portal Meio & Mensagem, a campanha será veiculada em todas as grandes emissoras abertas de alcance nacional (SBT, Record, RedeTV e Band), com exceção da Globo. O custo total será de R$ 40 milhões.

Milton Neves, um dos nomes confirmados para fazer parte da ação de marketing do governo, revelou em sua rede social que o cachê é de R$ 500 mil. Além dele, que tem salário estimado em R$ 1,3 millhão, os outros comunicadores contratados, e suas respectivas rendas mensais estimadas, são: Ratinho (R$ 3 milhões), Rodrigo Faro (R$ 3 milhões), Datena (R$ 1 milhão), Ana Hickmann (R$ 700 mil), Luciana Gimenez (R$ 500 mil) e Renata Alves (R$ 100 mil).

Um trabalhador brasileiro que recebe R$ 998 por mês teria que trabalhar por 114 anos para acumular um valor igual a média mensal de renda dos sete apresentadores que farão a campanha.

"Nenhum deles faz jornalismo na prática. Eles são apresentadores de programas de entretenimento. Eles vendem para os telespectadores deles. Eles vendem produtos, vendem ideia, vendem imagem, vendem ilusão, vendem a verdade. Eles não passam de camelôs eletrônicos. São vendedores que aproveitam o seu espaço, o seu programa, para vender todos os tipos e qualquer produto. Pagou, eles vendem. Foi o que o governo fez. O governo pagou e eles vão vender a ideia que a reforma da Previdência é a melhor coisa para o brasileiro", disse Edney Almeida, pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Urbanos (NEPUR) e doutor em sociologia urbana, mídia e sociedade.

Durante o governo Michel Temer (MDB), a partir de 2016, também foram autorizadas despesas no valor total de R$ 183 milhões para propaganda, pesquisas e sites de apoio à reforma da Previdência. Na época, o governo desistiu da proposta por conta do desgaste político causado pelas acusações e gravações do empresário Joesley Batista, dono da JBS, contra o ex-presidente.

A secretaria de comunicação do governo Federal e a Artplan foram procuradas pelo Brasil de Fato, porém não comentaram sobre a campanha até o fechamento da matéria.
 
Fonte: Brasil de fato | Escrito por: Juca Guimarães | Edição: Aline Carrijo | Foto: Isac Nóbrega (PR)
Taxa do IPCA foi a maior para abril desde 2016, segundo o IBGE. Em 12 meses, inflação oficial foi a 4,94%. O INPC ultrapassou os 5%

Com 0,57%, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), menor que março, teve a maior variação para abril desde 2016, segundo o IBGE, que divulgou o resultado na manhã desta sexta-feira (10). A taxa para os primeiros quatro meses do ano, 2,09%, também foi a mais elevada para o período desde aquele ano. O acumulado em 12 meses subiu para 4,94%.

De acordo com o instituto, o grupo Saúde e Cuidados Pessoais teve a maior variação, de 1,51%, com altas em itens como remédios (2,25%), planos de saúde (0,80%), produtos de higiene pessoal (2,76%) e perfumes (6,56%). Esse grupo representou impacto de 0,18 ponto percentual no índice geral.

Transportes subiu menos do que em março (de 1,44% para 0,94%), mas mesmo assim teve a segunda maior variação do mês, com impacto de 0,17 ponto no IPCA. O preço da gasolina aumentou 2,66%, em média, variando de -0,58% (região metropolitana de Salvador) a 5,98% (Porto Alegre). Ainda nesse grupo, as passagens áreas tiveram alta de 5,32% e a tarifa do ônibus urbano, de 0,74% – cada um contribuiu com 0,02 ponto.

Grupo de maior peso na composição do índice, Alimentação e Bebidas também subiu menos: de 1,37% para 0,63%. Alimentos para consumo em casa foram de 2,07% para 0,62%, mas comer fora passou de 0,10% para 0,64%. Caíram preços de produtos como feijão carioca (-9,09%) e frutas (-0,71%), enquanto subiram tomate (28,64%), frango inteiro (3,32%), cebola (8,62%) e carnes (0,46%).

Em Habitação, os destaques foram energia elétrica (alta de 0,10%), taxa de água e esgoto (0,49%) e gás encanado (1,38%). Com isso, o grupo variou 0,24%, com impacto de 0,04 ponto.

Entre as regiões pesquisadas, a menor variação foi apurada em Rio Branco (0,05%), onde o custo da energia caiu 2,60%. O maior foi na região metropolitana de Fortaleza: 0,91%, com influência de água e esgoto (12,39%).

Depois vêm São Luís (0,87%), Porto Alegre e Salvador (0,83%), Aracaju (0,80%), Brasília (0,77%), Belém e Goiânia (0,62%), Recife (0,59%), Curitiba (0,57%), Campo Grande (0,52%), São Paulo (0,49%), Rio de Janeiro (0,46%), Belo Horizonte (0,42%) e Vitória (0,32%).

Em 12 meses, o IPCA vai de 4,21% (Brasília) a 5,63% (Porto Alegre).


INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) chegou a 0,60%, abaixo de março (0,77%), mas também no maior resultado para abril desde 2016. Em 12 meses, chegou a 5,07%.

Segundo o IBGE, os produtos alimentícios tiveram alta de 0,64%, enquanto os não alimentícios subiram 0,58%.


Fonte: RBA | www.redebrasilatual.com.br | Escrito por: Redação RBA | Foto: Pixabay
Sexta, 10 Mai 2019 09:25

Feliz dia, Mãe!

Escrito por
 às mães de barriga,
 às mães de alma,
 às Mães que aprendem
 e ensinam sendo mãe,
 a todas estas Mulheres
 maravilhosas que geram
 amor a cada dia,
 nosso carinho e admiração neste
 12 de maio de 2019!

Nossa homenagem especial às mulheres que são mães e trabalhadoras, do SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EDIFÍCIOS - SEEF e da FECESC
Para Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio, pacote proposto por ministro Sergio Moro é higienista e fortalecerá a superlotação dos presídios

 Com o pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, o governo Bolsonaro mostra que não pretende reduzir a desigualdade, mas pretende "acabar com os pobres". Essa é a avaliação da assistente social e integrante da Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio Katiara Oliveira, que classifica o atual governo como "higienista".

"O pacote do Moro é a institucionalização da pena de morte, além de ser uma forma de liberar os crimes da polícia sem classificá-los mais como ilegais. Vai vender uma falsa ilusão de segurança pública para atingir os eleitores do Bolsonaro, que pedem bandido morto", afirmou ela, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria,na Rádio Brasil Atual.

Nessa terça-feira (7), o Conselho Nacional de Direitos Humanos se reuniu em Brasília e debateu a crise do sistema prisional do Brasil. Entre os temas abordados estava o pacote de Moro. Para Katiara, a medida é a institucionalização de um tipo de necropolítica, ou seja, o extermínio e encarceramento de jovens, pretos e pobres.

"A segurança pública é colocada numa situação em que a prisão e a morte traz segurança, mas quem está sendo preso e morto é a população que sempre sofreu no Brasil", criticou.

Nos últimos anos, a guerra entre facções criminosas expôs a fragilidade do sistema prisional e chamou a atenção para a superlotação. Segundo estudo da Pastoral Carcerária, o Brasil possui mais de 725 mil pessoas presas, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

As prisões do país têm uma ocupação de 200% e a assistente social lembra que a superlotação é um problema histórico, que sempre retirou da população negra o direito à cidadania. "O encarceramento em massa tem muita ligação com a lei da vadiagem, onde homens negros eram presos por estarem desempregados. Desses quase 800 mil presos, quase todos são pobres e a maioria é negro. Mais de 40% está cumprindo pena sem passar por julgamento. Existe a possibilidade de muitos inocentes estarem cumprindo pena", disse.

A lei antidrogas também é criticada por ela. Em um mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá retomar o julgamento de um recurso da Defensoria Pública de São Paulo que pede a inconstitucionalidade da criminalização da posse de drogas para consumo pessoal no Brasil.

Para Katiara, muitos usuários recreativos são colocados no mesmo patamar que o traficante. "A guerra do combate às drogas é racista. A classe média usa droga e nada acontece, só porque são brancos. Além disso, é sabido que as pessoas usam drogas e não há nenhum investimento para as políticas de redução de danos", lamentou.

Fonte: RBA | www.redebrasilatual.com.br | Escrito por: Redação RBA | Foto: EBC
Pela primeira vez, Sindiconde e Secovi negociam em mesa única Convenção Coletiva dos trabalhadores em edifícios comerciais e residenciais

 No dia 3 de maio foi realizada a primeira rodada de negociação visando a Convenção Coletiva 2019/2020 dos trabalhadores em edifícios. A diferença este ano é que, pela primeira vez, os sindicatos patronais Sindiconde e Secovi decidiram participar juntos das negociações. "O SEEF, que representa os trabalhadores, sempre quis essa negociação conjunta dos dois sindicatos patronais, pois se trata da mesma base, os trabalhadores em edifícios, comerciais ou residenciais", ponderou o presidente do SEEF Rogério Manoel Correa.
A primeira rodada de negociações não avançou em termos de propostas, mas ficou dentro do esperado, na avaliação do diretor da Fecesc e coordenador sindical do Dieese Ivo Castanheira, que participou da reunião. "O processo de negociação é um jogo de paciência, mas este ano pelo menos vamos ganhar tempo em negociar de forma conjunta, a exemplo do que já ocorre há dois ou três anos no comércio, onde o sindicato patronal de Florianópolis e o de São José adotaram essa prática da negociação conjunta. É fato que os trabalhadores em edifícios buscam as mesmas garantias nas cláusulas sociais e a valorização de seus salários", afirmou Castanheira.
Na rodada do dia 3 de maio, participara pelo SEEF os diretores Rogério Manoel Correa e Moacir Padilha; pela Fecesc o diretor Ivo Castanheira; pelo Sindiconde Sandro Barreto e Walter Cruz e pelo Secovi Fernando Amorim Willrich e Gustavo Villar M. Guimarães. A próxima rodada de negociação será marcada após o dia 15 de maio.
Últimos dados sobre emprego no Brasil mostram que, das 13,4 milhões de pessoas sem emprego, 37,8% desistiram da procura

 O número de pessoas aptas ao trabalho mas sem emprego no Brasil superou a marca dos 13,4 milhões no primeiro trimestre de 2019. Isso significa dizer que 12,7% dos brasileiros e brasileiras estão desempregados. Os dados atualizados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última terça (30).

"Os dados confirmam o indicativo do aumento do número do desemprego. Talvez o mais importante seja o volume desse aumento de desocupados. São 1,2 milhões de pessoas, comparando com o trimestre anterior. A taxa aumentou mais de um ponto percentual, o que é muito significativo em um primeiro trimestre", comenta Patrícia Pelatieri, coordenadora de pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Uma análise mais aprofundada sobre os dados do IBGE revela outros recortes que permitem avaliar a evolução do cenário laboral brasileiro: 6,8 milhões de pessoas estão subocupadas. Tratam-se, em geral, de trabalhadores informais ou que se dedicam aos chamados bicos, trabalhando menos horas do que poderiam.

O sociólogo Ricardo Antunes, um dos maiores estudiosos brasileiros sobre o mundo do trabalho, explicou em entrevista ao Brasil de Fato que este tipo de trabalho, informal, intermitente é a "antessala do desemprego".

Os números apontam também para um grupo crescente de trabalhadores desalentados, ou seja, desempregados que deixaram de procurar emprego, cresceu 3,9% no último trimestre. No total, 180 mil pessoas desistiram de encontrar um trabalho, somando 4,8 milhões de brasileiros.

Antunes interpreta que a condição de desalento não significa que o trabalhador ou a trabalhadora não queira mais buscar emprego porque não precisa. "Eles não buscam mais emprego porque estão fazendo isso há um, dois anos. Para buscar emprego você tem que acordar cedo, ter dinheiro para condução, para alimentação. É muito custoso", analisa.

Somados os trabalhadores sub-ocupados, os trabalhadores que poderiam trabalhar mas não o fazem por diversos motivos – uma mãe que não pode trabalhar por ter que cuidar de um filho pequeno sem acesso a creche, por exemplo – e os trabalhadores desalentados, o Brasil atingiu o recorde de 28,3 milhões de pessoas classificadas pelo IBGE como subutilizadas.

"É muito preocupante olhar esse quadro, principalmente ao verificarmos o perfil dos desalentados, dos sub-ocupados e desempregados. São, em sua maioria, mulheres jovens entre 18 e 24 anos. Trabalhadores de ocupações elementares, com baixa escolaridade. Estamos falando de um empobrecimento da classe trabalhadora muito significativo", alerta Pelatieri.

De acordo com Antunes, a criação de bolsões de desempregados é servil ao sistema capitalista. Sobretudo no cenário atual, em que as políticas sociais estão em retração, e com os efeitos da reforma trabalhista, tornando trabalhadores cada vez mais reféns às condições degradantes impostas pelos empregadores.

"O desemprego é o flagelo mais brutal. E cada vez mais esse bolsão de desempregados se confunde com o bolsão de subempregados, de informais intermitentes, porque todos esses vivenciam muitos horários de suas vidas em que deveriam trabalhar para sobreviver, na condição real de desemprego", concluiu Antunes.

Fonte: Brasil de Fato | Escrito por: Redação | Colaboração Lu Sudré e Rodrigo Chagas | Edição: Rodrigo Chagas | Foto: José Cruz / Agência Brasil
Pesquisa do IBGE mostra que mulheres, desempregadas ou não, ainda são as principais responsáveis pelas tarefas do lar e no cuidado de pessoas na comparação com os homens, reforçando as desigualdades
 
A desigualdade na distribuição das tarefas domésticas e no cuidado de pessoas entre mulheres e homens agravam as restrições e a disparidade salarial enfrentadas pela população feminina no mercado de trabalho, de acordo com avaliação do diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, sobre pesquisa do IBGE indicando que as mulheres dedicam o dobro do tempo nos afazeres de casa, em relação aos homens. Em média, são 21,3 horas por semana, ante 10,9 horas exercidas pelos homens.

Uma situação desigual que também se repete no caso das mulheres que trabalham fora, cumprindo 8,2 horas a mais em obrigações domésticas do que com relação aos homens. "Elas trabalham muito, mas trabalham sem reconhecimento econômico", afirma Clemente em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

De acordo com a pesquisa, estima-se que no ano passado 147,5 milhões de pessoas, 87% da população com 14 anos ou mais, realizaram tarefas domésticas e/ou cuidado de pessoas, mas a incidência é maior entre as mulheres, 93%, do que os homens, 80,4%,o que também ocorre entre a parcela de desempregados, com a população feminina trabalhando 11,8 horas a mais do que a masculina.

"Isso tudo traz para as mulheres restrições no acesso e dentro do mercado de trabalho, que acabam também repercutindo na remuneração menor do que os homens, em geral de 20% a 30%. Tudo isso vai mostrando as dificuldades que as mulheres têm na presença do mercado de trabalho e essa desigualdade em termos de responsabilidades com as tarefas domésticas e familiares", avalia o diretor técnico.


Fonte: RBA | www.redebrasilatual.com.br | Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias
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