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Seu Luiz: a história de um trabalhador de condomínio Destaque

São 5 horas da manhã e Luiz já está a caminho do serviço. Para começar no trabalho às 7 horas, o zelador do Edifício Aplub começa cedo. Morador do sul da ilha de Florianópolis, esta rotina diária é feita há 48 anos.
Trabalhador do edifício há quase cinco décadas, Seu Luiz, como é conhecido pelos donos de salas e por quem frequenta o prédio de 11 andares, viu o centro crescer aos seus olhos. Contratado para ser ascensorista, ficou na função apenas seis meses e logo já foi promovido a zelador.
O funcionário mais antigo do prédio, mesmo já aposentado, não pensa em parar de trabalhar tão cedo. "Eu tenho uma boa saúde e aqui me tratam com muito respeito", ressalta Luiz.
Conhecido pelo nome por todos que chegam no prédio, o zelador é um crítico a terceirização dos serviços, pra ele é uma exploração que fazem com os trabalhadores terceirizados. "Eu sou contra por que eu vejo o quanto eles são explorados pelas empresas terceirizadas. O quanto é pago pelo condomínio para empresa, e não é o mesmo que é repassado pra eles", frisou.
Luiz também critica a portaria eletrônica, em que não há porteiro e a chamada no interfone é atendido numa central telefônica junto com mais 20 ou 30 outros prédios. "Essa moda que está agora nas portarias foi feito por gente que não sabe o que é trabalhar em um condomínio, tem muita coisa que a gente só consegue resolver pessoalmente, além de ser mais seguro ter um porteiro, por que a gente sabe a rotina dos moradores e quem entre e quem sai", explicou.
Seu Luiz que já fez parte da direção do sindicato e gosta de contar orgulhoso que ajudou a fundar o SEEF, diz que a vida de quem trabalha para lutar pelos outros, é muito ingrata. "Eu não quero mais isso pra mim, além de ir em um monte de reunião, fazer um monte de coisas, no final alguns trabalhadores ainda cobram como se não dependesse deles também pro sindicato ser melhor".
Apaixonado pela família, Seu Luiz que perdeu a esposa há alguns anos, hoje usa o tempo de folga exclusivamente pra ficar com as filhas e netas. Orgulhoso de não ter nenhum problema de saúde, ele diz que quer trabalhar até quando Deus permitir. Com um salário superior ao piso do zelador, Luiz se sente em casa e valorizado.
Para Moacir Erosalte Padilha, diretor do SEEF, histórias como a do Seu Luiz estão cada vez mais raras. Com o avanço das portarias eletrônicas, a figura do zelador e do porteiro não estão mais sendo valorizadas. "É alarmante o número de prédios na Grande Florianópolis que substituiu o trabalhador pela portaria eletrônica, trabalhadores de anos de empresas estão sendo substituídos por máquinas", para Moacir esta mudança causa ainda mais desemprego, "onde trabalha 30, agora trabalha só um".
Rogério Manoel Corrêa, também diretor do SEEF vê a terceirização ganhar espaço, apesar de ter exemplos de condomínios que já terceirizam e depois retornaram para a contratação direta, devido a baixa na qualidade do serviço, o "monstro" da terceirização da mão de obra está avançando na categoria. " Os trabalhadores e trabalhadoras da nossa categoria sempre tiveram como característica ficar mais tempo no mesmo local de trabalho, são pessoas de confiança que conhecem da vida dos moradores ou do seu trabalho, com a terceirização isso se acaba e começa a alta rotatividade. Por isso exemplos como o do Seu Luiz, que é valorizado e está a décadas no mesmo local, infelizmente tem diminuído", explica Rogério.

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